VARADOURO - Varadouro
- Larissa Andrade
- 26 de nov. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 4 de dez. de 2025
Durante o período colonial, o bairro do Varadouro, em Olinda, foi uma área estratégica e simbólica para a presença dos povos negros, especialmente os africanos escravizados trazidos para Pernambuco. Como zona de passagem entre o porto e a cidade alta — onde viviam os senhores e as autoridades coloniais — o Varadouro tornou-se um espaço de circulação intensa de mercadorias, pessoas e culturas. Durante o século XIX, a região do Varadouro era de onde provinha a maior parte do abastecimento de água para Olinda e Recife, através dos canoeiros, muitos deles africanos escravizados.
Ali se concentravam mercados, armazéns e senzalas urbanas, sendo também um ponto onde muitos negros escravizados realizavam trabalhos forçados, sobretudo no carregamento de bens e abastecimento da cidade. Mas o Varadouro não foi apenas um espaço de exploração — ele também foi lugar de resistência. Muitos negros libertos, artesãos e pequenos comerciantes começaram a se estabelecer na região, formando laços de solidariedade e redes culturais que ajudaram a manter vivas as tradições africanas.
Com o tempo, o Varadouro e suas adjacências tornaram-se um dos territórios negros mais importantes de Olinda, onde se cultivaram práticas religiosas de matriz africana, festas populares e formas de organização comunitária que ecoam até os dias atuais.




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